Grindhouse é um termo empregado nos EUA para denominar salas de cinema em medianas (ou péssimas) condições, onde, nos anos 60 e 70, eram exibidas produções de baixo orçamento tais como os filmes que pretendo resenhar aqui nesse blog.
Grindhouses eram conhecidas por suas exibições ininterruptas de filmes classe B formadas por apresentações duplas ou triplas de filmes consecutivos intercalados por trailers das próximas estreias.
Mas por que "grindhouse" (algo como "casa de moeção", numa tradução livre da palavra)? O que uma "casa de moeção" tem a ver com um cinema? Ao escrever esse texto, confesso que, com a mente deturpada que eu tenho, cheguei a imaginar uma sala de exibição onde as pessoas são assassinadas - adivinhem como? Exatamente, trituradas em alguma máquina de abatedouro. Mas não, depois de uma pequena busca, descobri de onde surgiu o termo.
No filme "Lady of Burlesque", de 1943, uma das personagens refere-se ao teatro da 42nd Street, onde são apresentados stripteases e números de danças chamados bump'n'grind, como "grindhouse". Casas desse tipo eram muito comuns naquela época, porém com o tempo foram desaparecendo, dando lugar às salas de cinema por volta dos anos 60.
Após a decadência urbana que ocorreu após problemas sociais em meados dos anos 60, a mudança econômica forçou essas casas a serem fechadas ou oferecerem uma programação que a televisão era impossibilitada de transmitir. Nos anos 70, a programação essencial desses teatros era de filmes exploitation, de conteúdo pornográfico e vulgar, filmes de terror de qualidade duvidosa e cópias mal dubladas de filmes chineses de artes marciais.
Já nos anos 80, o advento do videocassete caseiro e canais de filmes a cabo ameaçaram tornar os cinemas grindhouse uma programação obsoleta. Ao fim dessa década, essas salas de exibição já não existiam mais em lugares como Los Angeles, Nova York e São Francisco. Em meados dos anos 90, grande parte já havia desaparecido dos Estados Unidos, onde, atualmente, muito poucas grindhouses ainda conseguem sobreviver.
A afeição nostálgica que permanece no coração dos cinéfilos pelo já defunto cinema grindhouse tem feito com que o conceito de filmes que eram projetados naquelas salas mal-conservadas reaparecesse em diversas obras na cultura popular moderna. Um grande exemplo disso é o projeto criado em 2007 por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez intitulado "Grindhouse", em que os dois cineastas - fãs confessos do cinema exploitation - dirigiram cada qual um filme: Rodriguez, "Planeta Terror" (Planet Terror), uma homenagem ao cinema grotesco com muita nojeira, zumbis e uma mulher com uma metralhadora no lugar da perna (sem contar com a presença de Bruce Willis virando zumbi, isso é impagável!); Tarantino, "À Prova de Morte" (Death Proof), em que um dublê misógino interpretado pelo fodão Kurt Russell persegue mulheres com seu possante Chevy Nova 1971.
Vou reservar um post mais a frente para falar melhor desses dois filmes e mais outros componentes da nova leva de "neo-exploitation".


Desculpa, Bruno, mas tive que rir. A sua word-for-word translation foi hilária. Mas eu, dono de uma mente tão poluída quanto - ops! -, confesso que não pensaria algo diferente.
ResponderExcluirSobre o projeto, achei bacana o lance de serem duas produções, assim como era comumente feito nesses espaços. Acredita que nunca tinha parado pra pensar nisso?
Agora, uma dúvida: existiria um equivalente nacional pras grindhouses? Sei lá, um espaço onde eram exibidos filmes do Cinema Marginal, por exemplo?
Post esclarecedor. Que venha os próximos!