Três "go-go dancers" dirigem pelo deserto por diversão com seus carros esporte, quando chegam à beira de um rio. Billie (Lori Williams) se joga na água, deixando sua amiga Rosie (Haji) enfurecida, que vai atrás dela, dando início a uma briga dentro d'água até que Billie consegue se livrar e caminhar até a margem. Rosie, ainda não satisfeita, força-a a continuar a contenda rolando na areia. Mas sua líder, Varla (interpretada pela divina Tura Satana), impassível à cena que se passa bem a sua frente, decide propor um jogo para mostrar quem é a mais forte...
Assim começa um dos melhores títulos do cinema exploitation dos anos 60, senão de todos os tempos, que à época de seu lançamento foi um fracasso, mas com o tempo foi atingindo sua proeminência devido ao status cult que seu diretor, Russ Meyer, atingiu no decorrer de sua filmografia.
"Faster, Pussycat..." pode não conter a nudez explícita pela qual seus filmes se tornaram conhecidos, mas isso é só um detalhe perante ao irresistível charme sexual feminino capaz de esmagar qualquer marmanjo. O filme fez de sua protagonista/vilã Tura Satana um ídolo pin-up daquela época, conhecida até hoje pelas suas justas vestes pretas, sua franja reta e seu indescritível decote de deixar qualquer homem estagnado. Não foi à toa que o "Papa do trash", John Waters, proclamou esse como o melhor filme já produzido.
Logo nos primeiros segundos, antes mesmo da cena inicial contada no primeiro parágrafo desta resenha, o espectador é alertado por uma voz em off sobre o que virá em seguida: violência.
"Ladies and gentlemen, welcome to violence, the word and the act. While violence cloaks itself in a plethora of disguises, its favorite mantle still remains... sex. Violence devours all it touches, its voracious appetite rarely fulfilled. Yet violence doesn't only destroy, it creates and molds as well. Let's examine closely then this dangerously evil creation, this new breed encased and contained within the supple skin of woman. The softness is there, the unmistakable smell of female, the surface shiny and silken, the body yelding yet wanton. But a word of caution: handle with care and don't drop your guard. This rapacious new breed prowls both alone and in packs, operating at any level, any time, anywhere, and with anybody. Who are they? One might be your secretary, your doctor's receptionist... or a dancer in a go-go club!"
Não a violência que costumava ser vista no cinema sessentista. Somos então advertidos sobre a fúria contida sob a pele adorável de uma mulher, possivelmente sua secretária, sua recepcionista e, naturalmente, nossas três go-go dancers, que mostram que não vieram ao mundo para se submeterem ao opressivo poder masculino.
Os oitenta minutos seguintes nos dão uma prova do caso em questão quando nosso trio de beldades se deparam com um rapaz, também conduzindo seu carro esporte pelo deserto junto à sua namorada, Linda (Sue Bernard). Após provocações e uma aposta de corrida na qual o rapaz perde, inicia-se mais uma luta, dessa vez protagonizada por Varla e o mauricinho, resultando na morte do mesmo num show de supremacia feminina.
Linda, horrorizada com a cena, desmaia. Aproveitando a situação, Varla a droga e a põe no banco de seu carro. Agora as três precisam pensar no que fazer com a menina e sair o mais rápido possível daquele lugar antes que possam ser descobertas.
Após saberem de uma informação valiosa pelo atendente paspalhão (e fofoqueiro) de um posto de gasolina, elas seguem um paraplégico homem de terceira idade (Stuart Lancaster) e seu robusto filho demente (Dennis Busch) ao saberem que o velho esconde em sua propriedade uma gorda quantia em dinheiro. Quantia essa que seria o fim das atribulações financeiras das três belas damas. O espectador é então deixado a aguardar ansiosamente para mais deliciosas cenas de violência repletas de sensualidade.
"Faster, Pussycat! Kill! Kill!" é um hino de glória sobre mulheres audaciosas que derrubam os homens à sua própria maneira, sexualmente vorazes, com dois punhos fortes e capazes de deixar uma trilha de masculinidade em colapso onde quer que passem. O que o torna um ótimo filme é a maneira que mostra o sexo e a violência em algo mais icônico do que explícito, à parte da filmografia do diretor que estava para vir em seguida.
Sem dúvidas, foi Russ Meyer com essa obra-prima quem abriu portas para a geração de bad girls que conhecemos atualmente no cinema.






